sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu consegui, com ajuda.

" Deserto. Calor. Desespero.
- Aline, eu não aguento mais! - diz Larissa com lágrimas nos olhos - eu preciso parar. Essa caminhada é muito longa, o deserto é muito quente, tenho certeza que nunca vou encontrar um lugar pra ficar. Por favor.
- Larissa, eu sinto a mesma coisa que você, mas nós não podemos deixar a vida passar com esse martírio. Enxuga essas lágrimas, ergue a cabeça e caminha. EU SEI que é difícil, eu EU TENHO CERTEZA que vale a pena! E você sabe que eu estou aqui pra tudo.
- Tudo bem, obrigada. Eu também sempre vou estar aqui pra tudo, nunca se esqueça disso.
Mais alguns dias de caminhada, de sofrimento. Larissa pensou em desistir várias vezes, em parar, ou em fazer a besteira de voltar atrás, de cometer os erros que ela sabia que eram erros mas que pareciam tão tentadores na época. Porém, algo quase mágico lhe dava força: a amizade com aquela estranha, aquela que ela devia odiar com todas as suas forças. O que era aquilo? Elas foram unidas pelo que? Pela dor? Não, tinha que ser algo maior que isso. No momento em que pensou isso, Larissa não conseguiu mais guardar seus pensamentos:
- Aline, me prometa que nossa amizade é maior que isso, que mesmo depois que tudo ficar bem nós vamos continuar amigas. Nós temos que conseguir falar sobre outros assuntos, pensar em outras coisas. Nós estamos acima disso, nós vamos superar e seguir em frente.
- Eu prometo. Eu não entendo porque eu gosto tanto de você, foi tão curiosa a maneira como a gente se cruzou - eu até tenho medo - mas eu não consigo não me preocupar com você. Vou estar aqui, pra sempre.
- Obrigada. Não imagino como seria isso sem você. Mesmo com você aqui, dói tanto! - disse ela abraçando a amiga, enquanto resistia ao impulso de chorar.
- Eu sei que dói! - disse Aline retribuindo o abraço - mas lembre-se: o mundo não vai acabar, caso contrário eu não estaria aqui ainda. E vê se para de frescura que Deus tem um plano lindo pra ti.
Meses se passaram. As duas amigas continuavam unidas. Algumas vezes distantes, outras mais próximas, como em qualquer amizade. Por alguma razão, Larissa encontra seu oásis primeiro, e constrói seu palácio com ajuda da amiga. Com palpites, incentivos, e a força inexplicável e sem pretensões que provinha dela. Após o castelo estar pronto, Aline a procura:
- Larissa, sinto dizer que preciso juntar meus pertences e continuar minha caminhada. Quão longa é, ninguem sabe. Apesar de ainda termos muitas estradas para seguir de mãos dadas, teremos que nos separar.
- O quê? Você está ficando louca? Eu nunca vou te abandonar neste deserto. Você não me ajudou apenas a encontrar o meu palácio, você me ajudou a construí-lo. Nunca esquecerei disso. Sempre haverá um lugar nele para você, um refúgio, um esconderijo. Eu sempre estarei aqui para acolhê-la quando precisar. E, se insiste em continuar sua caminhada sozinha, não irei impedi-la - sempre acreditei que todos devem tomar suas decisões sozinhos, e eu confio em você - mas deixe-me ao menos lhe preparar um cesto com mantimentos, algo que te ajude. Nunca te abandonarei, e não se esqueça de voltar."


Você sabe que a maioria da falas que eu usei são verdadeiras, que você me falou tudo isso algum dia. Ainda caminharemos muito de mãos dadas, também tenho certeza.
Fique bem, sempre (:

Um comentário:

  1. Eu sei que são, e viu só, eu não estava mentindo sobre nada ;)

    -Palacetes no deserto construídos à três sempre desmoronam...se é que você me entende. Ei, hoje olhei pra nossa foto e pensei (pela milésima vez): se eu acreditasse em outras vidas, diria que você foi minha irmã. Ainda tenho medo disso. Faltou essa frase hahahah!

    ps: será que tem gente lendo isso e achando MUITO louco/tosco/sem noção? eu acho que sim.

    ResponderExcluir